Publicado por: Flávio Simonetti | 11 Julho, 2009

Israel

Domo da Rocha

Domo da Rocha

Jerusalem é realmente o centro do mundo, uma cidade que atrai as mais variadas personalidades: turistas em busca de atrações, peregrinos religiosos, voluntários em direção à palestina, malucos religiosos, mochileiros…todos misturados aos moradores do local. São judeus (ortodoxos e seculares), cristãos das mais variadas denominações, muçulmanos, ateus, todos convergindo para a Cidade Velha, que lembra bastante as diversas medinas que eu conheci no Marrocos e na Tunísia, mas mais organizada, limpa e com uma diversidade maior de pessoas.

Torre de David

Torre de David

Durante a semana que fiquei por lá, visitei alguns dos mais famosos locais do planeta. Para começar, fui à Tore de David, fortaleza que domina o Portão de Jaffa, principal entrada da Cidade Velha. O local é um grande museu que conta a história da cidade desde os tempos pré-históricos até os dias de hoje por meio de montagens, dioramas, videos e apresentações multimídia. Uma das principais atrações do museu é uma enorme maquete de Jerusalem nos tempos bíblicos. Construída no século 19 por um judeu de origem belga para uma grande feira internacional que seria realizada em Genebra, a maquete ficou desaparecida durante cerca de 100 anos e foi redescoberta somente no final dos anos 1980, restaurada e emprestada para a prefeitura de Jerusalem.

Esse foi só o aperitivo. No dia seguinte fui conhecer a Basílica do Santo Sepulcro, onde segundo a tradição cristã Jesus Cristo teria sido crucificado e, após sua morte, enterrado e de onde também teria resussitado. A enorme igreja foi destruída e recosntruída durante os séculos, e possui um clima sombrio e meio pesado, com pessoas chorando e sofrendo.

Mas a basílica possui também uma história sensacional. Três denominações católicas são as responsáveis pelo templo: católicos romanos, ortodoxos gregos e Ortodoxos. Além disso, ortodoxos sirios e etíopes e coptas gregos também possuem alguma jurisdição sobre certas áreas da igreja. Mas, e aí vem a parte realmente interessante, nenhuma dessas facções religiosas tem o controle sobre a entrada da Igreja. No século 12, o sultão Saladino entregu a posse das chaves da basílica e o controle sobre o portão de entrada a duas famílias muçulmanas locais – Os Joudeh são os responsáveis pelas chaves e os Nusseibeh pelo portão. E, desde então, todas as manhãs um membro da família Joudeh traz as chaves da basílica para que um membro da família Nuseibeh possa destrancar o portão. A cena se repete todas as noites, quando a igreja é trancada. Só em Jerusalem…

Muro das Lamentações

Muro das Lamentações

Depois foi a vez de conhecer o Muro das Lamentações, local que é considerado o mais sagrado para os judeus. O muro, provavelmente uma das construções mais fotografadas do planeta, é a única parte restou do Segundo Templo, destruído pelos romanos. Lá, durante o Shabbat, milhares de judeusa se reunem para rezar, cantar e dançar. O lugar também é bastante popular como ponto de celebração de bar mitzvas.

Ainda no mesmo dia, conheci o Domo da Rocha (outra construção que deve figurar entre as mais fotografadas do mundo), um dos mais sagrados locais da fé muçulmana, e que fica localizado no local exato do Segundo Templo. No interior do templo está localizada uma rocha que acredita-se foi o local que Maomé teria subido aos céus para se juntar a Alá. O edifício é extraordinariamente bonito, mas infelizmente, após a segunta intifada, o acesso de não-muçulmanos ao seu interior foi proibido. Uma das principais características do edifício é seu domo dourado, que foi originalmente feito de ouro, mas que ha anos foi substituído por alumínio.

Jardim de Getsêmani

Jardim de Getsêmani

Nos dias seguintes rodei pela cidade e conheci diversos pontos: a sala onde a última ceia teria sido realizada, o túmulo de Oskar Schindler e o Monte das Oliveiras. Lá visitei a Gruta de Getsêmani, onde Jesus teria sido traído por Judas, e o Jardim de Getsêmani, onde ele teria sido preso pelos romanos. Lá também visitei o túmulo de Maria, outra igreja controlada por várias denominações diferentes (mas até onde eu sei, sem zeladores muçulmanos). Decidi então subir o monte, para conhecer a Igreja da Ascenção, onde Cristo teria subidos aos céus. Após meia hora, cheguei à porta da Igreja, só para descobrir que ela já estava fechada. Mas do alto do monte pude ter uma visão espetcular da Cidade Velha.

Na volta, acabei encontrando acidentalmente a igreja de Santa Ana, mãe de Maria, e local em que acredita-se que ela (Maria) teria nascido. A igreja é um exemplar espetacular da arquitetura do tempo das Cruzadas. Doada aos franceses, ela foi restaurada de forma magnífica e possui uma acústica perfeita. Aos visitantes é permitido cantar no interior da igreja, mas somente músicas religiosas.

Entrada para a Gruta da Natividade

Entrada para a Gruta da Natividade

No dia seguinte, decidi ir visitar o território ocupado da Cisjordânia. Minha parada foi Belém, para conhecer a Igreja da Natividade, local de nascimento de Cristo. Em 2002, o exército israelense invadiu a cidade para tentar capturar um grupo de militantes palestinos, que então se refugiaram dentro da igreja. Durante 39 dias, o exército cercou a igreja e após negociações, os militantes se entregaram e foram então extraditados para a Europa e para a Faixa de Gaza. Oito palestinos foram mortos, e o exército de Israel causou danos estimados em cerca de US$ 1,4 milhão, além de terem destruído o palácio presidencial de Yasser Arafat.

Em seguida fui para Hebron, cidade que abriga um dos locais mais sagrados para Cristãos, Muçulmanos e Judeus, a Caverna dos Patriarcas, onde acredita-se (ou acreditou-se) estarem enterrados quatro casais bíblicos: Adão e Eva, Abrão e Sara, Isac e Rebeca e Jacó e Lea. Cheguei no centro de Hebron e desci do ônibus em uma rua movimentada, cheia de lojas, escritórios e restaurantes. Para chegar até o templo, fui a pé em direção da parte mais ao sul da cidade e após alguns minutos, entrei na parte vleha, muito parecida com as diversas medinas que eu visitei no Marrocos e na Tunísia e também com a Cidade Velha em Jerusaslém. A não ser por uma grande diferença: ao contrário do centro da cidade, na parte velha 99% do comércio estava fechado e as vielas praticamente desertas, o que me pareceu muito estranho, já que normalmente os velhos souks (mercados) são a parte mais cheia de vida nas cidades árabes.

Caminhando pelas ruelas (e sem saber se estava indo na direção correta) acabei conhecendo o dono de uma das poucas lojas abertas. Ele me explicou que as ruas e lojas eram propriedade dos palestinos que vivem na cidade. Mas na parte superior existe um assentamento israelense. Ele então me pediu para olhar para cima, e o que eu vi foi uma tela de arame cobrindo o estreito vão que separava as lojas do souq. Essa tela foi colocada lá pois os assentados, para prejudicar a vida dos comerciantes palestinos, costumavam jogar lixo nas ruas.

O muro da vergonha

O muro da vergonha

Após a colocação da tela, a estratégia mudou, e sacos cheios de urina e fezes começcaram a voar das janelas das casas do assentamento o que, por fim, acabou por expulsar a grande maioria dos comerciantes. Atualmente, apenas as lojas localizadas nas partes mais fechadas das vielas continuam abertas, desafiando a arrogância dos assentados, que são protegidos pelo exército israelense, mas que não movem uma palha pelos palestinos. A chegada ao templo também é tensa. Passei por três bareiras do exército e em todas tive de cruzar por detectores de metal e em todas soldados inpecionaram o conteúdo da minha mochila e da minha pochete. Após a curta visita à Cisjordânia, voltei para Jerusalem com uma sensação desagradável e no caminho ainda pude ver o enorme muro que Israel está construindo na fronteira com a palestina.

No meu último dia em Jerusalem, fui visitar o Yad Vashem, o enorme memorial erguido em homenagem às vítimas do holocausto durante a Segunda Guerra. Imponente, moderno, belo e cheio de história, o local significou para mim, principalmente depois de visitar Hebron, uma lembrança de que o passado está sempre nos assombrando no presente.

Depois de Jerusalem fui para Tel Aviv, e fiquei alguns dias na casa de uma israelense chamada Irit. A cidade gora em torno da praia, e meus dias foram dedicados à mais absoluta vagabundagem. Amanhã volto para Jerusalem, mas vou direto para a Jordânia.

Torre de David

Torre de David

Na Igreja do Santo Sepulcro, este é o local em que acredita-se que Cristo teria sido crucificado

Na Igreja do Santo Sepulcro, este é o local em que acredita-se que Cristo teria sido crucificado

Detalhe da Igreja do Santo Sepulcro

Detalhe da Igreja do Santo Sepulcro

Cripta do Santo Sepulcro

Cripta do Santo Sepulcro

Domo da Rocha

Domo da Rocha

Detalhe do Domo da Rocha

Detalhe do Domo da Rocha

A Sala da Última Ceia

A Sala da Última Ceia

Túmulo de Oskar Schindler

Túmulo de Oskar Schindler

Monte das Oliveiras

Monte das Oliveiras

Igreja de Santa Anna

Igreja de Santa Anna

Cidade Velha, Jerusalem

Cidade Velha, Jerusalem

Igreja da Natividade, Belém

Igreja da Natividade, Belém

Gruta da Natividade - A estrela de prata marca o local exato do nascimento de Cristo

Gruta da Natividade - A estrela de prata marca o local exato do nascimento de Cristo

Arafat nas ruas de Belém

Arafat nas ruas de Belém

Ruas desertas em Hebron - No prédio ao fundo, os dois andares superiores fazem parte do assentamento israelense

Ruas desertas em Hebron - No prédio ao fundo, os dois andares superiores fazem parte do assentamento israelense

Souq em Hebron - Na parte superior da foto, a tela instalada pelos comerciantes palestinos para evitar que o lixo jogado pelos assentados atingisse a rua

Souq em Hebron - Na parte superior da foto, a tela instalada pelos comerciantes palestinos para evitar que o lixo jogado pelos assentados atingisse a rua

Café da Liberdade, Hebron

Café da Liberdade, Hebron

Barreira militar

Barreira militar

Em primeiro plano, a segunda barreira militar. Ao fundo, a Mesquita que abriga a Gruta dos Patriarcas. O complexo também abriga uma sinagoga

Em primeiro plano, a segunda barreira militar. Ao fundo, a Mesquita que abriga a Gruta dos Patriarcas. O complexo também abriga uma sinagoga

Túmulo dos Patriarcas

Túmulo dos Patriarcas

Assentamento israelense na Palestina

Assentamento israelense na Palestina

Museu do Holocausto

Museu do Holocausto

A Lista de Schindler original

A Lista de Schindler original

Vagão original utilizado para transportar judeus para campos de concentração

Vagão original utilizado para transportar judeus até os campos de concentração de Dachau e Auschwitz-Birkenau

erusalem é realmente o centro do mundo, uma cidade que atrai as mais variadas personalidades: turistas em busca de atrações,

peregrinos religiosos, voluntários em direção à palestina, malucos religiosos, mochileiros…todos misturados aos moradores

do local. São judeus (ortodoxos e seculares), cristãos das mais variadas denominações, muçulmanos, ateus, todos convergindo

para a Cidade Velha, que lembra bastante as diversas medinas que eu conheci no Marrocos e na Tunísia, mas mais organizada,

limpa e com uma diversidade maior de pessoas.

Durante a semana que fiquei por lá, visitei alguns dos mais famosos locais do planeta. Para começar, fui à Tore de David,

fortaleza que domina o POrtão de Jaffa, principal entrada da Cidade Velha. O local é um grande museu que conta a história da

cidade desde os tempos pré-históricos até os dias de hoje por meio de montagens, dioramas, videos e apresentações multimídia.

Uma das principais atrações do museu é uma enorme maquete de Jerusalem nos tempos bíblicos. Construída no século 19 por um

judeu de origem belga para uma grande feira internacional que seria realizada em Genebra, a maquete ficou desaparecida

durante cerca de 100 anos e foi redescoberta somente no final dos anos 1980, restaurada e emprestada para a prefeitura de

Jerusalem.

Esse foi só o aperitivo. No dia seguinte fui conhecer a Basílica do Santo Sepulcro, onde segundo a tradição cristã Jesus

Cristo teria sido crucificado e, após sua morte, enterrado e de onde também teria resussitado. A enorme igreja foi destruída

e recosntruída durante os séculos, e possui um clima sombrio e meio pesado, com pessoas chorando e sofrendo.

Mas a basílica possui também uma história sensacional. Três denominações católicas são as responsáveis pelo templo: católicos

romanos, ortodoxos gregos e XXXX. Além disso, ortodoxos sirios e coptas gregos também possuem alguma jurisdição sobre certas

áreas da igreja. Mas, e aí vem a parte realmente interessante, nenhuma dessas facções religiosas tem o controle sobre a

entrada da Igreja. No século 12, o sultão Saladino entregu a posse das chaves da basílica e o controle sobre o portão de

entrada a duas famílias muçulmanas locais – Os XXXXXX são os responsáveis pelas chaves e os YYYYY pelo portão. E, desde

então, todas as manhãs um membro da família XXXX traz as chaves da basílica para que um membro da família YYYY possa

destrancar o portão. A cena se repete todas as noites, quando a igreja é trancada. Só em Jerusalem…

Depois foi a vez de conhecer o Muro das Lamentações, local que é considerado o mais sagrado para os judeus. O muro,

provavelmente uma das construções mais fotografadas do planeta, é a única parte restou do Segundo Templo, destruído pelos

romanos. Lá, durante o Shabbat, milhares de judeusa se reunem para rezar, cantar e dançar. O lugar também é bastante popular

como ponto de celebração de bar mitzvas.

Ainda no mesmo dia, conheci o Domo da Rocha (outra construção que deve figurar entre as mais fotografadas do mundo), um dos

mais sagrados locais da fé muçulmana, e que fica localizado no local exato do Segundo Templo. No interior do templo está

localizada uma rocha que acredita-se foi o local que Maomé teria subido aos céus para se juntar a Alá. O edifício é

extraordinariamente bonito, mas infelizmente, após a segunta intifada, o acesso de não-muçulmanos ao seu interior foi

proibido. Uma das principais características do edifício é seu domo dourado, que foi originalmente feito de ouro, mas que ha

anos foi substituído por alumínio.

Nos dias seguintes rodei pela cidade e conheci diversos pontos: a sala onde a última ceia teria sido realizada, o túmulo de

Oskar Schindler e o Monte das Oliveiras. Lá visitei a Gruta de Getsêmani, onde Jesus teria sido traído por Judas, e o Jardim

de Getsêmani, onde ele teria sido preso pelos romanos. Lá também visitei o túmulo de Maria, outra igreja controlada por

várias denominações diferentes (mas até onde eu sei, sem zeladores muçulmanos). Decidi então subir o monte, para conhecer a

Igreja da Ascenção, onde Cristo teria subidos aos céus. Após meia hora, cheguei à porta da Igreja, só para descobrir que ela

já estava fechada. Mas do alto do monte pude ter uma visão espetcular da Cidade Velha
.

Na volta, acabei encontrando acidentalmente a igreja de Santa Ana, mãe de Maria, e local em que acredita-se que ela (Maria)

teria nascido. A igreja é um exemplar espetacular da arquitetura do tempo das Cruzadas. Doada aos franceses, ela foi
restaurada de forma magnífica e possui uma acústica perfeita. Aos visitantes é permitido cantar no interior da igreja, mas

somente músicas religiosas.

No dia seguinte, decidi ir visitar o perritório ocupado da Cisjordânia. Minha parada foi Belém, para conhecer a Igreja da

Natividade
, local de nascimento de Cristo. Em 2002, o exército israelense invadiu a cidade para tentar capturar um grupo de

militantes palestinos, que então se refugiaram dentro da igreja. Durante 39 dias, o exército cercou a igreja e após

negociações, os militantes se entregaram e foram então extraditados para a Europa e para a Faixa de Gaza. Oito palestinos

foram mortos, e o exército de Israel causou danos estimados em cerca de US$ 1,4 milhão, além de terem destruído o palácio

presidencial de Yasser Arafat.

Em seguida fui para Hebron, cidade que abriga um dos locais mais sagrados para Cristãos, Muçulmanos e Judeus, a Caverna dos

Patriarcas, onde acredita-se (ou acreditou-se) estarem enterrados quatro casais bíblicos: Adão e Eva, Abrão e Sara, Isac e

Rebeca e Jacó e Lea. Cheguei no centro de Hebron e desci do ônibus em uma rua movimentada, cheia de lojas, escritórios e

restaurantes. Para chegar até o templo, fui a pé em direção da parte mais ao sul da cidade e após alguns minutos, entrei na

parte vleha, muito parecida com as diversas medinas que eu visitei no Marrocos e na Tunísia e também com a Cidade Velha em

Jerusaslém. A não ser por uma grande diferença: ao contrário do centro da cidade, na parte velha 99% do comércio estava

fechado e as vielas praticamente desertas, o que me pareceu muito estranho, já que normalmente os velhos souks (mercados) são

a parte mais cheia de vida nas cidades árabes.

Caminhando pelas ruelas (e sem saber se estava indo na direção correta) acabei conhecendo o dono de uma das poucas lojas

abertas. Ele me explicou que as ruas e lojas eram propriedade dos palestinos que vivem na cidade. Mas na parte superior

existe um assentamento israelense. Ele então me pediu para olhar para cima, e o que eu vi foi uma tela de arame cobrindo o

estreito vão que separava as lojas do souq. Essa tela foi colocada lá pois os assentados, para prejudicar a vida dos

comerciantes palestinos, costumavam jogar lixo nas ruas.

Após a colocação da tela, a estratégia mudou, e sacos cheios de urina e fezes começcaram a voar das janelas das casas do

assentamento o que, por fim, acabou por expulsar a grande maioria dos comerciantes. Atualmente, apenas as lojas localizadas

nas partes mais fechadas das vielas continuam abertas, desafiando a arrogância dos assentados, que são protegidos pelo

exército israelense
, mas que não movem uma palha pelos palestinos. A chegada ao templo também é tensa. Passei por três

bareiras do exército e em todas tive de cruzar por detectores de metal e em todas soldados inpecionaram o conteúdo da minha

mochila e da minha pochete. Após a curta visita à Cisjordânia, voltei para Jerusalem com uma sensação desagradável e no

caminho ainda pude ver o enorme muro que Israel está construindo na fornteira com a palestina.

No meu último dia em Jerusalem, fui visitar o Yad Vashem, o enorme memorial erguido em homenagem às vítimas do holocausto

durante a Segunda Guerra. Imponente, moderno, belo e cheio de história, o local significou para mim, principalmente depois de

visitar Hebron, uma lembrança de que o passado está sempre nos assombrando no presente.

Depois de Jerusalem fui para Tel Aviv, e fiquei alguns dias na casa de uma israelense chamada Irit. A cidade gora em torno da

praia, e meus dias foram dedicados à mais absoluta vagabundagem. Amanhã volto para Jerusalem, mas vou direto para a Jordânia.

Publicado por: Flávio Simonetti | 29 Junho, 2009

Mergulhando em Dahab, problemas na fronteira com Israel

Uma das melhores decisões que eu tomei desde que comecei a viajar foi fazer o curso de mergulho. Me inscrevi no mesmo dia em que cheguei em Dahab, mas como não havia mais ninguém no momento para fazer o curso comigo, decidi esperar alguns dias. Dois dias depois o canadense Quynn e a escocesa Claire apareceram e então formamos um grupo liderado pelo instrutor Ahmed Mohammed.

Apesar do meu receio inicial, o curso foi fantástico. Tudo o que se diz sobre respirar embaixo d’água é a mais pura verdade. Se no início tudo me pareceu altamente desconfortável e completamente não natural, em pouco tempo eu esqueci de tudo isso. Durante os três dias de curso fizemos 7 mergulhos. Desses, 3 foram mergulhos confinados, em uma profundidade de não mais de 3 metros, em que executamos diversos exercícios. Os outros 4 mergulhos foram feitos em águas abertas, e chegamos a descer até 18 metros. E como Dahab possui condições excelentes para mergulho, posso afirmar que foi incrível.

Todos os nossos mergulhos em águas abertas foram feitos ao lado de um enorme recife de corais, habitado por milhares de peixes. Infelizmente vou ficar devendo fotos, pois o centro de mergulho queria cobrar 10 euros de cada um de nós para tirar fotos, e decidimos que o valor era alto demais. No fim,m tudo correu bem e eu consegui minha certificação.

Monte Sinai

Monte Sinai

Terminado o curso, fiquei de bobeira por alguns dias, relaxando e praticando snorkeling. Mas também me juntei ao casal neozelandês Amy e Paul para subir os 2285 metros do monte Sinai, onde Moisés teria recebido as placas dos 10 mandamentos das mãos de Deus. Saímos de Dahab às 11h da noite e chegamos no pé do monte por volta da 1h30 da manhã. A subida leva algo entre 2 e 4 horas, dependendo do preparo físico de cada um. Eu consegui fazer o trajeto em cerca de 3 horas, o que para mim foi ótimo. Mas a subida não é nada fácil, feita na mais completa escuridão, e as lanternas não ajudam muito, pois o terreno da trilha é acidentado.

Os turistas também tem que dividir a trilha com dezenas de condutores de camelos que insistem em oferecer seus caríssimos serviços aos turistas mais cansados. E claro, quanto mais cansado o turista, mais ofertas ele irá receber. Ao fim de uma subida difícil, chega-se à base dos chamados “Degraus do Arrependimento”, uma escadaria de pedra com 750 degraus irregulaes, escorregadios e que fazem com que a subida pela trilha fique parecendo uma simples e agradável caminhada. Mas finalmente consegui chegar ao topo da montanha.

Nascer do sol

Nascer do sol

Lá em cima aluguei um colchão e um cobertor, pois fazia um frio de rachar, e esperei para assistir ao espetacular nascer do sol, cercado de turistas e peregrinos. A descida também foi feita inicialmente pelos degraus, mas assim que cheganmos ao início da trilha, existem duas possibilidades para continuar a descer: seguir pela trilha, claro, ou enfrentar mais 3 mil degraus montanha abaixo, o que, pelo inchaço do meu joelho, decidi que não seria uma boa idéia,

O Monastério

O Monastério

Após a descida, chegamos ao Monastério de Santa Catarina, o mais antigo monastério do mundo. Aguardamos cerca de 40 minutos até que ele fosse aberto para a entrada dos visitantes. Lá dentro, é possível visitar um pequeno museu com diversos ícones ortodoxos gregos (denominação que ocupa o local), além de uma bela igreja ortodoxa. Lá também está a Sarça Ardente, árvore que segundo a Bíblia, mesmo em chamas, não se queimava. Deus apareceu no meio da sarça e orientou Moisés a tirar os israelitas da escravidão no Egito e levá-los até a Terra Prometida.

De volta a Dahab, dormi por quase 20 horas, antes de me preparar para a viagem a Israel. Ontem, acompanhado do inglês Paul, saí de Dahab em direção a Taba, sem saber o que iria acontecer, pois é normal ouvir histórias sobre problemas que turistas encontram na fronteira de Israel.

Tudo transcorreu de forma tranquila até que chegamos, por voilta das 13h30, na última barreira, ainda com tempo suficiente par pegar o ônibus das 14h30 para Jerusalem. Mas claro que nada deu certo. Paul e eu não recebemos o visto imediatamente e tivemos que esperar. E esperar. E esperar. Somente às 14h40 uma das funcionárias da imigração devolveu o meu passaporte, mas nada do passaporte do coitado do inglês. Como ele viajou no ano passado para a Síria e para o Líbano, a coisa se complicou. Ele foi interrogado por cerca de 20 minutos e ouviu algumas perguntas bizzaras, como “qual o nome do seu pai?”, “e o nome do seu avô?”, “o seu avô era cristão ou muçulmano?”. Detalhe, Paul é loiro de olhos azuis, e seu nome completo é Paul Williams, mesmo nome do avô.

Com o tempo passando, e último ônibus para Jerusalem saindo às 17h, esperei o máximo que pude, mas às 16h20 Paul me disse para desencanar e correr até a estação de ônibus. E lá fui eu, deixando o pobre inglês para trás – pior ainda é saber que ele ficou retido lá e não está vindo para Israel como turista, e sim a convite da ONU para ensinar inglês para crianças palestinas.

A viagem entre Eilat e Jerusalem foi rápida e confortável, num ônibus lotado de adolescentes voltando do fim de semana na praia. Mas quando o ônibus parou em um bar na beira da estrada, um fato chamou minha atenção. Fui até a lanchonete comprar algo para comer e na volta, vi uma garota de não mais de 20 anos, vestida com uma camiseta regata e shorts, falando ao celular e carregando uma bolsa…ou o que parecia ser uma bolsa. Vejam a foto da moça aí embaixo:

Sim, a menininha bonitinha e gostosinha, vestida de forma informal e casual, estava carregando uma metralhadora!!!

Sim, a menininha bonitinha e gostosinha, vestida de forma informal e casual, estava carregando uma metralhadora!!!

Assim que cheguei em Israel, corri para o albergue, me instalei o mais rápido possível e, acompanhado de 3 americanos, fui até um bar assitir a final da Copa das Confecerações. Quando saímos do albergue, um dos americanos havia acabado de ver na internet que o jogo estava 2×0, para alegria dele e meu desespero. Quando finalmente chegamos no bar, o Brasil tinha feito o primeiro gol e o final da história vocês já sabem…

Bom, abaixo algumas fotos dos últimos dias. Minha câmera está começando a apresentar alguns problemas, e não está focando direito. Vamos ver se a situação piora, e se serei obrigado a comprar uma câmera nova, o que eu realmente não quero fazer.

Os neozelandeses Amy e Paul

Amy e Paul

DSC04962

Sinais de turistas do passado

Sinais de turistas do passado

DSC04979

Sinos do monastério

Sinos do monastério

A Sarça Ardente - "Let my people go!"

A Sarça Ardente - "Let my people go!"

À beira do abismo

À beira do abismo

Publicado por: Flávio Simonetti | 19 Junho, 2009

Relaxando no Egito

Depois de Siwa, fiquei alguns dias no Cairo descansando. Pra quem acha que viajar por um ano mochilando é a mesma coisa que tirar longas férias, uma novidade: não é não. Na verdade (e isso você só aprende durante a viagem) é trabalho duro. Por mais divertido que seja (e é legal pacas!), estar constantemente em movimento e sempre procura ndo algo para fazer cansa. E por isso decidi estacionar no Cairo, já que o hotel era simplesmente o melhor hotel que eu fiquei aqui no Egito, incluindo-se aí a primeira vez que visitei o país. Fica a dica: Pensão Roma (http://www.pensionroma.com.eg/).

Mas ainda consegui visitar a Cidade dos Mortos, um enorme cemitério que fica no norte da capital egípcia. Diferentemente dos cemitérios a que estamos acostumados, a cidade dos mortos abriga não somente tumbas e mausoléus, mas casas e edifícios, moradia e local de trabalho de milhares de pessoas.

Depois do Cairo, peguei um ônibus e vim para Dahab, cidade no Mar Vermelho famosa por ser um dos principais pontos de encontro dos mochileiros no Egito e de onde é possível ver a costa oeste da Arábia Saudita. Ontem o Egito venceu a Itália por 1 x 0 e os moradores daqui (os homens, claro) foram à loucura, com direito a buzinaço e gritaria nas ruas.

Vou ficar por aqui até a semana que vem, fazendo um curso de mergulho e, de novo, relaxando.

A Cidade dos Mortos

A Cidade dos Mortos

Whisky genuinamente falsificado no Egito

Whisky genuinamente falsificado no Egito

Sim, o lugar é bem desagradável...

Sim, o lugar é bem desagradável...

...e a vista é de matar!

...e a vista é de matar!

Egito 1 x Itália 0

Egito 1 x Itália 0

Publicado por: Flávio Simonetti | 19 Junho, 2009

100 comentários

comentarios
Valeu!!!

Publicado por: Flávio Simonetti | 13 Junho, 2009

Siwa

No meu último dia em Alexandria, conheci o carioca Eduardo. Eu estava numa lanhouse atualizando o blog e vi que a pessoa ao meu lado estava acessando sites brasileiros, então puxei um papo com ele. O Eduardo também está fazendo uma longa viagem (6 meses), escrevendo um blog (http://www.rtwdu.blogspot.com/) e iria para o Oásis de Siwa, minha próxima parada. Como ele iria no mesmo dia à noite e eu iria somente no dia seguinte, decidimos nos encontrar lá e acabamos ficando no mesmo hotel.

A viagem de ônibus entre Alexandria e Siwa dura nove horas, boa parte cruzando o deserto do Saara. A viagem costuma ser tranquila, não fosse o hábito que os motoristas tem de tocar música árabe de todos os tipos (pop, tradicional, cânticos e orações) em volumes bem acima do razoável e durante toda a viagem. Quando a música para, invariavelmente começam os filmes de kung-fu. Mas apesar disso, tudo foi tranquilo.

Centro de Siwa

Centro de Siwa

Chegando em Siwa, a primeira coisa que se percebe é que se chegou a um Egito completamente diferente do Cairo e de Alexandria. Poucas ruas de terra cercam a praça principal da cidade, e o silêncio é ensurdecedor. Quase não se ouvem buzinas, as pessoas são tranquilas e educadas, poucos turistas andam pelas ruas sob o sol escaldante e o ritmo de vida é realmente diferente. Para se ter uma idéia, em função do calor, boa parte do comércio da cidade para de funcionar entre o meio dia e seis horas da tarde. Depois disso, tudo reabre e a cidade, que tem apenas 23 mil habitantes, fica movimentada até bem depois da meia noite.

Saara

Saara

Siwa é uma das principais portas de entrada para o Saara. Mas grande parte dos passeios que podem ser organizados são bastante caros, e como estamos na baixa temporada, o número de turistas é baixo, o que significa que muitas vezes temos de pagar mais caro (menos pessoas para dividir o custo total). Desa forma, decidi fazer o passeio mais básico do local: quatro horas em um jipe 4X4 pelo deserto. Durante o passeio foi possível descer as dunas em uma prancha de sandboard (sorry, ficarei devendo as fotos dos meus espetaculares tombos).

Águas quentes do deserto

Águas quentes do deserto

Também passamos por uma fonte de águas frias, talvez a parte mais sensacional da viagem, somente pelo fato de que nadar após enfrentar o calor do deserto é uma sensação de prazer difícil de descrever.  Só posso dizer que é bom. Muito bom.Depois foi a vez de visitarmos uma pequena fonte de águas quentes, mas não nos animamos em nadar. Afinal de contas, quem quer entrar em uma piscina a 45 graus celsius no meio do deserto: E, para completar, a água é rica em enxofre, o que faz com que o local tenha um ‘agradável’ cheirinho de ovo podre. Em seguida rumamos para o topo de uma enorme duna e para apreciar um espetacular por do sol regado a muito chá. De volta a Siwa, eu e o Eduardo rumamos para o melhor (e único) restaurante da cidade para jantar e bater papo. E qual não foi nossa surpresa quando fomos abordados por um outro cliente do restaurante, que nos perguntou em português: “vocês chegaram hoje?”. Aiman é um carioca de origem egípcia que trabalha na embaixada e vive há 21 anos no Cairo.

Shali

Shali

No dia seguinte, fomos visitar o principal ponto turístico da cidade, as ruínas da fortaleza de Shali. Construída no século 13 com um material conhecido como Kershef, uma mistura de pedaços de sal retirados dos lagos da região, rochas e argila, a fortaleza foi durante cerca de 7 séculos um lugar inacessível para qualquer forasteiro que chegasse à Siwa. Mas no início do século 20, fortes chuvas destruíram Shali, deixando apenas escombros impressionantes. Apenas algumas pessoas ainda vivem na parte mais externa da fortaleza. É impressionante ver que mesmo depois de mais de 700 anos, e mesmo com a destruição causada pelas águas, muitas das paredes das construções ainda permanecem de pé. À noite, jantando com Eduardo e Aiman, mais uma coincidência: outra brasileira apareceu no restaurante. Dirce mora há 4 anos em Alexandria com o marido americano, um engenheiro naval. Então aí vai a dica para os viajantes: se estiver no Egito e sentir saudades de casa, siga para Siwa, aparentemente o local preferido dos turistas brasileiros

Estamos novamente no Cairo. O Eduardo está indo para a Grécia e eu devo ficar aqui por mais alguns dias descansando e me preparando para ir até Port Said e depois Dahab. Mas talvez a gente ainda se encontre, pois ele vai para a Tailândia na mesma época que eu.

Até no deserto é possível comer no McDonald's

Até no deserto é possível comer no McDonald's

DSC04743

DSC04748

DSC04753

Preparação para descer as dunas

DSC04756

DSC04760

Fonte de águas frias

Fonte de águas frias

Trajes de banho ousados

Trajes de banho ousados

Ali na direção

Ali na direção

Águas quentes

Águas quentes

DSC04801

Eduardo

Eduardo

DSC04809

Perdido no deserto

Perdido no deserto

DSC04827

DSC04831

DSC04834

DSC04836

DSC04837

DSC04847

DSC04860

Postagens Antigas »

Categorias