A história deste post começou logo que eu cheguei na Tailândia. Circula aqui pelo sudeste asiático uma revista gratuita chamada SEA Backpackers, voltada para mochileiros. Logo nos meus primeiros dias em Bangkok, eu peguei uma cópia em uma agência de viagens e, no meio das inevitáveis matérias sobre baladas em Koh Phangan e dicas de saúde, havia um texto de 4 páginas, muito mal escrito, sobre o Loop, uma viagem de moto pelo interior do Laos.
Num primeiro momento, não me interessei muito pela idéia, pois nunca curti muito andar de moto. Mas logo que cheguei em koh Tao, disposto a fazer o maior número de mergulhos possível, decidi alugar uma scooter para poder percorrer a ilha sem pagar as exorbitantes taxas dos taxis locais. E, é claro, fiquei viciado nisso. Mas ainda assim estava na dúvida se faria ou não o Loop, pois achava que precisava de uma companhia.
Quando comecei a viajar com a Stela, comentei por alto sobre o passeio e, para minha surpresa, ela ficou animadíssima e topou na hora. Nas próximas semanas, em todas as cidades pelas quais passávamos, alugamos motos – primeiro automáticas e depois manuais – e fizemos diversos passeios, uma forma de ‘treinamento’ para os quatro dias em que iríamos nos perder pelo interior do Laos.
Quando chegamos em Vientiane, começamos a comprar alguns equipamentos para a aventura. Finalmente, no dia 5 de novembro, pegamos um ônibus para a pequena cidade de Tha Khek, e nos hospedamos no Travel Lodge, hotel que serve de base para todos os ‘Loopers’. Lá, os viajantes podem consultar o lendário Loop Log Book, uma série de cadernos com milhares de relatos e dicas deixadas por motoqueiros que há anos vêm fazendo a mesma viagem.
No hotel também fica o escritório do Mr. Ku (sem gracinhas, por favor), que aluga as temidas motos genéricas, já elas não tem identidade definida. Motores chineses, chasis coreanos, adesivos honda…no Log Book, diversos relatos afirmam que as motos do Mr. Ku são as melhores da cidade, não quebram e aguentam o tranco. Já outros turistas não se mostram tão confiantes, e não faltam histórias de terror sobre amortecedores quebrados, motores fundidos e pneus estourados. Decidimos então optar pela solução mais preguiçosa e conveniente: alugar as motos do homem e torcer pelo melhor.
DIA 1
Sábado, 7 de novembro de 2009

Eu e as nossas possantes
O primeiro dia da viagem começou comigo correndo por Tha Khek às 7h30 da manhã, procurando uma loja que vendesse cartões de memória para máquinas fotográficas, pois na véspera eu descobri que um vírus havia infectado o meu cartão e todas as minhas fotos de Vang Vieng e Vientiane estão, até o momento, inacessíveis. Após resolver esse pequeno problema, pegamos as motos, enchemos os tanques e caímos na estrada.
Na primeira perna do percurso, decidimos ir de Tha Khek até a cidade de Yommalat, onde pararíamos para almoçar. No caminho, a idéia era explorar três cavernas e nadar num lago. Mais fácil falar do que fazer. Perdemos a entrada da Buddha Cave e decidimos seguir por mais alguns quilômetros até a caverna de Xien Lab. Ali o problema foi outro: ficamos cerca de 40 minutos procurando a entrada da caverna, mas não encontramos nada. Em seguida, rumamos para a lagoa Falang, e dessa vez acertamos. O lugar é lindíssimo e não havia ninguém por perto.
Como ainda tínhamos mais duas cavernas para encontrar, nadamos por cerca de meia hora e voltamos para o asfalto. Mas, novamente, nossa sorte não ajudou. Encontramos uma caverna que estava coberta de lama, impedindo a nossa entrada. A essa altura, achamos melhor pular a caverna de Nang Aen, a única que possuía uma indicação clara de entrada na estrada, mas que é paga.

Paisagens impressionantes
Apesar desses pequenos problemas, o início da viagem foi ótimo, pois a paisagem da região é absolutamente fantástica, com enormes montanhas, e a estrada de asfalto estava em ótimas condições e com pouquíssimo movimento. Chegamos em Yommalat por volta das 14h e encontramos um pequeno restaurante que servia apenas um prato: sopa de macarrão com carne de proco, frango, carne de vaca e lula!
Com o cansaço e a excitação do primeiro dia, acabamos ficando no restaurante por uma hora e meia, e ainda tínhamos cerca de 30 quilômetros para percorrer até a cidade de Nakay, onde planejávamos ficar. No início, a estrada asfaltada subiu pelas montanhas da região, mas assim que atingimos o topo, o asfalto deu lugar à terra, o que exigiu que diminuíssemos a velocidade e redobrássemos a atenção. Mas o cenário ficou ainda mais incrível e apenas alguns caminhões cruzavam o nosso caminho.
Chegamos em Nakay por volta das 16h30, com os tanques quase vazios, e o que encontramos se assemelhava muito à uma cidade de faroeste, e não das mais atraentes. Decidimos então seguir por mais 17 quilômetros até Tha Long, por uma estrada que sabíamos ser bem ruim. Em uma hora cruzamos com pouquíssimos veículos e finalmente, às 17h30, com o sol desparecendo por detrás das montanhas, chegamos à guesthouse – e não havia luz elétrica na cidade! Mas foi ótimo e às 19h comemos uma das mais simples e deliciosas refeições aqui do Laos, frango frito e arroz.
Nada mal para o primeiro dia de dois motoqueiros pregos.
DIA 2
Domingo, 8 de novembro de 2009

Amanhecer na estrada
Às 8 horas da manhã a conta do hotel já havia sido paga e os tanques das possantes já estavam cheios. O trecho entre Tha Long e Lak Sao é considerado por todos os loopers o mais terrível, e alguns relatos no logbook do hotel de Tha Khek dão a impressão de que a tarefa de percorrer os 54 quilômetros que separam as duas cidades é quase impossível. E realmente, essa foi a pior estrada que pegamos, com um buraco atrás do outro, muita poeira e quase nenhum vilarejo. Mas, novamente, o cenário é fantástico, desta vez por dentro de matas mais fechadas.

O descanso da motoqueira
Paramos diversas vezes para tirar fotos e, precisamente ao meio-dia, chegamos em Lak Sao para o almoço. E, honestamente, um pouco surpresos. Nós estávamos esperando condições muito piores, mas o que encontramos foi uma estrada difícil para motos, mas bastou um pouco de cuidado para chegarmos a salvo no nosso primeiro destino. Almoçamos em um restaurante vietnamita e depois seguimos por mais 63 quilômetros em uma estrada asfaltada, serra abaixo, até o vilarejo de Nahim, onde passamos nossa segunda noite e comemoramos o grande feito com muita cerveja e jogando cartas até altas horas da noite (9h30, para ser mais exato).
DIA 3
Segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A caminho da caverna
O terceiro dia do Loop é normalmente o mais aguardado. Saímos de Nahim por volta das 11h da manhã e em pouco mais de duas horas e meia vencemos os 53 quilômetros até a caverna de Kong Lo. Descoberta no século 20 e totalmente explorada apenas nos anos 1990, a caverna é uma das principais maravilhas naturais do Laos. São 7,5 quilômetros que podem ser percorridos de barco, pois um rio percorre toda a extensão da caverna.
O passeio é impressionante. Logo no início é possível ter uma vaga idéia das dimensões da caverna, que em alguns pontos chega a ter cerca de 100 metros de largura e mais de 50 de altura. E mesmo com quatro lanternas – duas dos barqueiros, a minha e a da Stela – a escuridão é quase total.

A entrada de Kong Lo
No início, o barqueiro encosta em uma das margens do rio subterrâneo para que possamos apreciar as incríveis estalactites e estalagmites da caverna. Um sistema de iluminação instalado em 2008 por uma ONG francesa permite que os turistas vejam melhor as formações rochosas. Aos mais preocupados, um aviso: a luz só é ligada quando há alguém visitando o lugar.
Depois de cerca de uma hora de viagem, chegamos à outra ponta do rio e, pouco mais de 40 minutos depois, fizemos o percurso de volta, cruzando com alguns barcos de turistas e outros tranportando a população local e produtos como caixas de cerveja e motocicletas! Após o passeio, decidimos nos hospedar em uma guesthouse no vilarejo de Kong Lo localizada em frente à uma cadeia de montanhas e a uma plantação de arroz. Novamente, comemoramos o dia com muita cerveja, dessa vez na companhia de outros loopers que se hospedaram no mesmo hotel.
DIA 4
Terça-feira, 10 de novembro de 2009

O lendário Logbook
O último dia do Loop é o mais enfadonho. São quase 200 quilômetros entre Nahim e Tha Khek, e levamos quase todo o dia para percorrer o caminho. E, quando estávamos a apenas 10 quilômetros de Tha Khek, sofremos a primeira – e única – pane motora, um pneu furado na minha moto. No fim, exaustos e sujos, chegamos ao nosso destino e trocamos experiências com outros mochileiros que iriam iniciar a viagem no dia seguinte. E, claro, deixamos o nosso relato no logbook do hotel, em português e inglês.
Abaixo, mais fotos e um pequeno vídeo da aventura.
DIA 1

Início da jornada

Tha Falang

Tha Falang

Perdidos nas cavernas

Mercado local

Tempero Lao

Exemplos da culinária do Laos

Búfalos fazendo o Loop?

Stelinha

A caminho de Yommalat

Hmmmm....

Stelinha e o staff do restaurante de um prato só
DIA 2

Acordar cedo e pegar a estrada...ô vida dura!

The Loop

Fazendo um carreto

The Loop

Comendo poeira 1

Comendo poeira 2

Indecifrável
DIA 3

The Loop

A estrela solitária

Em ótima companhia

The Loop

A entrada da caverna

Se a canoa não virar...

Kong Lo

The Loop

The Loop

A vista que tínhamos do nosso hotel!

Fim de mais um dia
DIA 4

The Loop Logbook

The Loop Logbook

The Loop Logbook

The Loop Logbook

The Loop Logbook
Abaixo, algumas fotos panorâmicas diretamente da câmera da Stelinha:

The Loop

The Loop

The Loop

Visões?

The Loop
Veja um pequeno vídeo dessa aventura (clique na imagem para abrir)

Clique na imagem para abrir o vídeo