Publicado por: Flávio Simonetti | 29 Junho, 2009

Mergulhando em Dahab, problemas na fronteira com Israel

Uma das melhores decisões que eu tomei desde que comecei a viajar foi fazer o curso de mergulho. Me inscrevi no mesmo dia em que cheguei em Dahab, mas como não havia mais ninguém no momento para fazer o curso comigo, decidi esperar alguns dias. Dois dias depois o canadense Quynn e a escocesa Claire apareceram e então formamos um grupo liderado pelo instrutor Ahmed Mohammed.

Apesar do meu receio inicial, o curso foi fantástico. Tudo o que se diz sobre respirar embaixo d’água é a mais pura verdade. Se no início tudo me pareceu altamente desconfortável e completamente não natural, em pouco tempo eu esqueci de tudo isso. Durante os três dias de curso fizemos 7 mergulhos. Desses, 3 foram mergulhos confinados, em uma profundidade de não mais de 3 metros, em que executamos diversos exercícios. Os outros 4 mergulhos foram feitos em águas abertas, e chegamos a descer até 18 metros. E como Dahab possui condições excelentes para mergulho, posso afirmar que foi incrível.

Todos os nossos mergulhos em águas abertas foram feitos ao lado de um enorme recife de corais, habitado por milhares de peixes. Infelizmente vou ficar devendo fotos, pois o centro de mergulho queria cobrar 10 euros de cada um de nós para tirar fotos, e decidimos que o valor era alto demais. No fim,m tudo correu bem e eu consegui minha certificação.

Monte Sinai

Monte Sinai

Terminado o curso, fiquei de bobeira por alguns dias, relaxando e praticando snorkeling. Mas também me juntei ao casal neozelandês Amy e Paul para subir os 2285 metros do monte Sinai, onde Moisés teria recebido as placas dos 10 mandamentos das mãos de Deus. Saímos de Dahab às 11h da noite e chegamos no pé do monte por volta da 1h30 da manhã. A subida leva algo entre 2 e 4 horas, dependendo do preparo físico de cada um. Eu consegui fazer o trajeto em cerca de 3 horas, o que para mim foi ótimo. Mas a subida não é nada fácil, feita na mais completa escuridão, e as lanternas não ajudam muito, pois o terreno da trilha é acidentado.

Os turistas também tem que dividir a trilha com dezenas de condutores de camelos que insistem em oferecer seus caríssimos serviços aos turistas mais cansados. E claro, quanto mais cansado o turista, mais ofertas ele irá receber. Ao fim de uma subida difícil, chega-se à base dos chamados “Degraus do Arrependimento”, uma escadaria de pedra com 750 degraus irregulaes, escorregadios e que fazem com que a subida pela trilha fique parecendo uma simples e agradável caminhada. Mas finalmente consegui chegar ao topo da montanha.

Nascer do sol

Nascer do sol

Lá em cima aluguei um colchão e um cobertor, pois fazia um frio de rachar, e esperei para assistir ao espetacular nascer do sol, cercado de turistas e peregrinos. A descida também foi feita inicialmente pelos degraus, mas assim que cheganmos ao início da trilha, existem duas possibilidades para continuar a descer: seguir pela trilha, claro, ou enfrentar mais 3 mil degraus montanha abaixo, o que, pelo inchaço do meu joelho, decidi que não seria uma boa idéia,

O Monastério

O Monastério

Após a descida, chegamos ao Monastério de Santa Catarina, o mais antigo monastério do mundo. Aguardamos cerca de 40 minutos até que ele fosse aberto para a entrada dos visitantes. Lá dentro, é possível visitar um pequeno museu com diversos ícones ortodoxos gregos (denominação que ocupa o local), além de uma bela igreja ortodoxa. Lá também está a Sarça Ardente, árvore que segundo a Bíblia, mesmo em chamas, não se queimava. Deus apareceu no meio da sarça e orientou Moisés a tirar os israelitas da escravidão no Egito e levá-los até a Terra Prometida.

De volta a Dahab, dormi por quase 20 horas, antes de me preparar para a viagem a Israel. Ontem, acompanhado do inglês Paul, saí de Dahab em direção a Taba, sem saber o que iria acontecer, pois é normal ouvir histórias sobre problemas que turistas encontram na fronteira de Israel.

Tudo transcorreu de forma tranquila até que chegamos, por voilta das 13h30, na última barreira, ainda com tempo suficiente par pegar o ônibus das 14h30 para Jerusalem. Mas claro que nada deu certo. Paul e eu não recebemos o visto imediatamente e tivemos que esperar. E esperar. E esperar. Somente às 14h40 uma das funcionárias da imigração devolveu o meu passaporte, mas nada do passaporte do coitado do inglês. Como ele viajou no ano passado para a Síria e para o Líbano, a coisa se complicou. Ele foi interrogado por cerca de 20 minutos e ouviu algumas perguntas bizzaras, como “qual o nome do seu pai?”, “e o nome do seu avô?”, “o seu avô era cristão ou muçulmano?”. Detalhe, Paul é loiro de olhos azuis, e seu nome completo é Paul Williams, mesmo nome do avô.

Com o tempo passando, e último ônibus para Jerusalem saindo às 17h, esperei o máximo que pude, mas às 16h20 Paul me disse para desencanar e correr até a estação de ônibus. E lá fui eu, deixando o pobre inglês para trás – pior ainda é saber que ele ficou retido lá e não está vindo para Israel como turista, e sim a convite da ONU para ensinar inglês para crianças palestinas.

A viagem entre Eilat e Jerusalem foi rápida e confortável, num ônibus lotado de adolescentes voltando do fim de semana na praia. Mas quando o ônibus parou em um bar na beira da estrada, um fato chamou minha atenção. Fui até a lanchonete comprar algo para comer e na volta, vi uma garota de não mais de 20 anos, vestida com uma camiseta regata e shorts, falando ao celular e carregando uma bolsa…ou o que parecia ser uma bolsa. Vejam a foto da moça aí embaixo:

Sim, a menininha bonitinha e gostosinha, vestida de forma informal e casual, estava carregando uma metralhadora!!!

Sim, a menininha bonitinha e gostosinha, vestida de forma informal e casual, estava carregando uma metralhadora!!!

Assim que cheguei em Israel, corri para o albergue, me instalei o mais rápido possível e, acompanhado de 3 americanos, fui até um bar assitir a final da Copa das Confecerações. Quando saímos do albergue, um dos americanos havia acabado de ver na internet que o jogo estava 2×0, para alegria dele e meu desespero. Quando finalmente chegamos no bar, o Brasil tinha feito o primeiro gol e o final da história vocês já sabem…

Bom, abaixo algumas fotos dos últimos dias. Minha câmera está começando a apresentar alguns problemas, e não está focando direito. Vamos ver se a situação piora, e se serei obrigado a comprar uma câmera nova, o que eu realmente não quero fazer.

Os neozelandeses Amy e Paul

Amy e Paul

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Sinais de turistas do passado

Sinais de turistas do passado

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Sinos do monastério

Sinos do monastério

A Sarça Ardente - "Let my people go!"

A Sarça Ardente - "Let my people go!"

À beira do abismo

À beira do abismo


Respostas

  1. Acompanhá-lo nesta mravilhosa viagem está sendo fantástico!
    Pergunta: Faz parte de seus planos visitar um kibutz?

    Beocas e seja feliz!

  2. Cecília,

    até estava, mas agora estou em dúvida…provavelmente não mais.

    Besos

  3. Cuidado com as mina do Mossad

  4. Fala Flavião! Cara, passei umas semanas sem conseguir acompanhar o blog, mas agora dei uma parada para ler e posso confirmar para quem duvidar: sua viagem está encantadora! Parabéns pelos registros, tenho certeza que a experiência está sendo sensacional.

    Ah, tô de casa nova, mas não percamos contato. anota o email aí.

    Abração, Baiano.

  5. Ah, em tempo, menina bonitinha gostosinha segurando uma metralhadora foi sensacional… hehehehe

  6. mto legal os relatos da viagem! eu morei no Egito 9 meses, mas com uma típica egípcia e não conheci os pontos turísticos! se quiser ver tb esse outro lado entra no meu blog http://www.egitoebrasil.com

    salam!

  7. Opa, valeu pela força!

    Abraços!!

  8. Flavião estou achando bárbaro suas fotos e escritos. Não sabia que no Oriente Medio tinha tanta coisa linda para ser vista. Vou tentar convencer a Miriam para nossa proxima.Vc tem mapas, guias tipo da folha para descobrir tanta coisa?Um abraço grande e continue enviando esse material que é fantastico. Conte com a gente.Um beijo.

  9. Flavião,
    Impressionante é essa árvore solitária no meio dessa areia em Wadi Rum. E verdinha!!!
    Suas fotos são maravilhosas. “Proxima parada” já é um livro quase pronto.


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